O Bitcoin está enfrentando uma sequência de quedas significativa, sendo a pior desde 2019, e fechou janeiro com uma desvalorização superior a 10%, abaixo dos US$ 80 mil. Essa queda o levou a ficar atrás do ouro, que tradicionalmente é visto como um ativo de proteção. A nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve contribuiu para a queda, pois o mercado passou a esperar uma política monetária mais restritiva. Enquanto o ouro caiu 9% em seu pior dia em mais de uma década, o Bitcoin não conseguiu se firmar como um ativo defensivo, passando a cair mais que o metal precioso. Essa dinâmica reflete uma diferença na percepção dos investidores sobre a função do Bitcoin e do ouro em momentos de crise.

A percepção dos investidores sobre o Bitcoin e o ouro diverge em momentos de incerteza. O ouro é historicamente visto como um ativo seguro, e em períodos de crise, o capital tende a fluir primeiro para ele. Bitcoin e ações são considerados ativos de risco, mais líquidos e, portanto, mais propensos a serem vendidos em momentos de estresse. Para Karim Nabil, analista da gestora suíça 21Shares, a “desdolarização” está mais presente no ouro do que no Bitcoin, pois o choque dominante atual é geopolítico e fiscal, além de monetário. A confiança secular no ouro como proteção explica sua preferência em relação ao Bitcoin em tais situações. Outros analistas compartilham dessa visão, ressaltando que o problema não é o preço atual do Bitcoin, mas como ele é percebido pelo mercado.

No contexto técnico, o Bitcoin opera em um mercado volátil, influenciado por fatores regulatórios e econômicos. A liquidez e as expectativas sobre juros são fatores que afetam diretamente o seu preço. A blockchain do Bitcoin, embora segura e descentralizada, não imuniza o ativo contra as flutuações do mercado. As exchanges de criptomoedas, onde o Bitcoin é negociado, também desempenham um papel crucial na sua precificação. Ademais, a discussão sobre stablecoins e outros tokens alternativos reflete a busca por estabilidade dentro do ecossistema cripto.

Em termos práticos, investidores e usuários de criptomoedas observam que o Bitcoin ainda está longe de ser considerado um porto seguro, como o ouro. A cada anúncio econômico ou regulatório, o mercado reage, mostrando a sensibilidade do ativo a notícias externas. Enquanto o Bitcoin e outras criptomoedas continuam parte de um mercado em evolução, a percepção de seus papéis e valores permanece sujeita a mudanças conforme o cenário econômico e geopolítico se altera.

Camilo Dantas é redator profissional formado pela USP, com mais de 15 anos em jornalismo digital e 25 anos de experiência em SEO e estratégia de conteúdo. Especialista em arquitetura semântica, otimização para buscadores e preparação de conteúdo para LLMs e IAs, atua como uma das principais referências brasileiras em SEO avançado. Também é formado em Análise de Sistemas com foco em Inteligência Artificial, unindo expertise técnica e editorial para produzir conteúdos de alta precisão, relevância e performance. Contato: [email protected]