No Carnaval de São Paulo, a Ambev detém o monopólio de venda de bebidas nas centenas de blocos que tomam as ruas da capital paulista, graças a um contrato de exclusividade firmado em 2017. A empresa paga anualmente uma quantia significativa – neste ano foram R$ 29,2 milhões – para ter o direito de vender suas marcas, como Skol, Beats e Corona. No entanto, marcas como Xeque Mate, Lambe Lambe e Amstel tentam contornar essa exclusividade e ganhar espaço no Carnaval.
A Xeque Mate, uma marca mineira de bebida alcoólica, é uma das representantes mais conhecidas de uma leva de rótulos que nasceram em Minas Gerais e que têm no Carnaval a principal vitrine e estratégia comercial para expandir seus mercados Brasil afora. A marca é duas vezes mais alcoólica que uma cerveja e virou febre no Carnaval há alguns anos. Para evitar a perda de seus produtos, a Xeque Mate e outras marcas como Lambe Lambe e Amstel têm sido vendidas de forma discreta, muitas vezes camufladas em caixas de isopor com outras marcas. Segundo Gabriel Rochadel, fundador da Xeque Mate, a empresa já bonificou ambulantes que tiveram seus produtos confiscados pela polícia. Essa discrição é fundamental para que essas marcas consigam sobreviver e se popularizar em um mercado dominado pela Ambev.
A disputa entre as pequenas marcas e a gigante Ambev escancara um debate mais amplo sobre quem controla — e quem financia — o Carnaval de rua brasileiro. O modelo paulistano, em que a Ambev é a patrocinadora principal e responsável por credenciar os ambulantes, diverge do modelo de Belo Horizonte. Em São Paulo, a expectativa é de que 16 milhões de foliões compareçam ao Carnaval em 2026, com uma infraestrutura de segurança, limpeza e saúde que fica por conta da iniciativa privada. A exclusividade da Ambev nesse evento levanta questões sobre a concorrência e a capacidade de pequenas marcas de se estabelecerem no mercado.
A estratégia de vendas das marcas menores, como Xeque Mate, Lambe Lambe e Amstel, é essencial para entender como elas conseguem driblar a exclusividade da Ambev e se manterem relevantes no mercado. Com uma presença cada vez mais forte, essas marcas desafiam o monopólio e defendem seu espaço, contribuindo para uma maior diversificação do mercado de bebidas no Carnaval de São Paulo.
