A Eneva, uma das principais empresas do setor energético, viu suas expectativas frustradas com a aprovação do edital do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Este leilão de 2026 é estratégico para a Eneva, pois abre a oportunidade de renovar contratos de cerca de 2 gigawatts (GW) de usinas termelétricas a gás natural já em operação. No entanto, os preços aprovados pela Aneel ficaram bem abaixo do que era esperado, o que pode ter impactos significativos na estratégia da empresa.
Os preços-teto aprovados pela Aneel foram de até R$ 1,4 milhão por megawatt (MW) ano para usinas termelétricas a gás natural e carvão, e de até R$ 1,6 milhão/MW.ano para novos empreendimentos. Isso equivale a R$ 182 por megawatt-hora (MWh) para novos projetos termelétricos e R$ 128/MWh para usinas existentes. Esses valores estão abaixo do consenso de mercado, que apontava para preços entre R$ 220/MWh e R$ 300/MWh. A redução abrupta nos preços pode ser um obstáculo significativo para as usinas termelétricas, especialmente aquelas que dependem de contratos firmes de gás natural para operar.
A aprovação dos preços-teto pela Aneel também tem implicações operacionais e de risco para a Eneva. Segundo o banco Citi, a combinação dos preços baixos com as mudanças recentes nas regras do sistema de transporte de gás tende a dificultar a viabilização econômica de projetos termelétricos, especialmente os de maior porte. Além disso, a necessidade de contratar capacidade firme de gás equivalente a pelo menos 70% da capacidade da usina pode tornar mais difícil para a Eneva obter os recursos necessários para renovar os contratos. É importante notar que a Eneva já enfrenta pressão para reduzir seus preços de energia, o que pode afetar a sua capacidade de oferecer produtos e serviços de energia aos consumidores.
Os impactos da decisão da Aneel também podem ser sentidos no mercado de energia. A redução nos preços de energia pode estimular a demanda, mas também pode diminuir a atratividade dos investimentos em usinas termelétricas, o que pode levar a uma menor capacidade de fornecimento no futuro. Para a Eneva e para todas as partes interessadas no setor de energia, a situação é agora mais incerta do que nunca.
