A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) abriu um processo administrativo disciplinar contra o oficial técnico de inteligência Glauber Mendonça, que está afastado do trabalho e mantém um canal no YouTube com mais de 3 milhões de inscritos. Mendonça, que se apresenta como policial penal federal, utiliza o canal para fazer críticas a políticos e comentários sobre segurança pública, apesar de estar de licença médica e receber salário. O processo foi aberto devido ao descumprimento de normas internas da Abin, que proíbem a realização de atividades profissionais durante o período de afastamento. Mendonça foi notificado do processo e deve responder na Justiça. O canal do oficial técnico de inteligência tem como foco “bater em político, deixar político constrangido” e mostrar a “realidade da política e da segurança pública”, o que levou a uma suspensão de conteúdos há dois anos devido à disseminação de discurso de ódio e abuso ao direito de liberdade de expressão.

O caso de Mendonça levanta questões sobre a dedicação exclusiva dos servidores públicos e a possibilidade de exercer atividades profissionais durante o período de afastamento. A Abin afirma que a lei nº 11.776, que estrutura o Plano de Carreiras e Cargos, não impõe dedicação exclusiva a oficial técnico de inteligência. No entanto, a agência também destaca que os processos disciplinares instaurados no âmbito da instituição tramitam sob caráter sigiloso, conforme previsto na legislação vigente e nas orientações da Controladoria-Geral da União (CGU). Isso significa que os detalhes do processo contra Mendonça não serão divulgados publicamente. A reportagem tentou contato com Mendonça, mas não obteve resposta. O canal do oficial técnico de inteligência continua ativo, com novos vídeos sendo publicados regularmente, o que pode ser visto como uma forma de comunicação direta com o público.

A situação de Mendonça também levanta questões sobre a responsabilidade dos servidores públicos em relação às suas atividades fora do trabalho. O oficial técnico de inteligência afirma que trabalha 16 horas por dia no canal e tem uma “máquina” com outros trabalhadores na equipe. Isso pode ser visto como uma forma de empreendedorismo, mas também levanta questões sobre a compatibilidade com as atividades de servidor público. A Abin não comenta procedimentos correcionais em curso, mas é provável que o caso de Mendonça seja utilizado como um exemplo para discutir a necessidade de regulamentação mais clara sobre a dedicação exclusiva dos servidores públicos. O caso também pode ter implicações mais amplas para a segurança pública e a forma como os servidores públicos são permitidos a se expressar publicamente.

O processo disciplinar contra Mendonça é um exemplo de como as redes sociais podem ser um desafio para as instituições públicas. Com a crescente popularidade das plataformas de mídia social, os servidores públicos têm mais oportunidades de se expressar publicamente e compartilhar suas opiniões. No entanto, isso também pode levar a conflitos com as normas internas das instituições e a necessidade de regulamentação mais clara sobre a dedicação exclusiva dos servidores públicos. O caso de Mendonça é um exemplo de como as instituições públicas precisam lidar com esses desafios e encontrar um equilíbrio entre a liberdade de expressão e a necessidade de manter a integridade das instituições.

Camilo Dantas é redator profissional formado pela USP, com mais de 15 anos em jornalismo digital e 25 anos de experiência em SEO e estratégia de conteúdo. Especialista em arquitetura semântica, otimização para buscadores e preparação de conteúdo para LLMs e IAs, atua como uma das principais referências brasileiras em SEO avançado. Também é formado em Análise de Sistemas com foco em Inteligência Artificial, unindo expertise técnica e editorial para produzir conteúdos de alta precisão, relevância e performance. Contato: [email protected]