O cenário do futebol brasileiro sofreu uma mudança significativa em relação aos patrocínios de casas de apostas, conhecidas como “bets”. Seis dos 20 times da Série A do Campeonato Brasileiro iniciaram a temporada sem um patrocinador máster, uma situação que contrasta com o ano anterior, quando 18 clubes tinham uma bet como patrocinadora principal. Essa mudança ocorre após a regularização do mercado de apostas no Brasil, que agora segue regras mais rigorosas, incluindo a identificação facial obrigatória dos apostadores menores de 18 anos e uma tributação de 12% sobre a receita bruta. Com isso, as casas de apostas reduziram seus gastos com patrocínios, afetando times como Bahia, Coritiba, Grêmio, Internacional, Santos e Vasco.
A regulação do mercado de apostas no Brasil, que começou a operar plenamente em 2025, trouxe consigo uma série de mudanças que impactaram o setor. A receita bruta das casas autorizadas alcançou R$ 37 bilhões em 2025, mas com a cobrança de impostos, incluindo os 12% sobre a receita bruta, a Receita Federal arrecadou R$ 9,95 bilhões, um aumento de 11.000% em relação a 2024. Além disso, a inflação nos preços que os clubes passaram a exigir também contribuiu para a mudança de rumo das casas de apostas. Durante o período de vácuo regulatório, a rentabilidade elevada inflou os gastos com patrocínios, levando a um aumento nos preços. Agora, com regras mais rígidas e aumento da tributação, as bets estão mais cautelosas em seus investimentos.
A mudança no cenário econômico, com a inflação e os juros influenciando o mercado, também impactou os investimentos das casas de apostas no futebol. A tributação mais alta e a necessidade de seguir regras mais rigorosas diminuíram a rentabilidade das bets, levando-as a uma postura mais conservadora. Como resultado, vários clubes que antes dependiam fortemente do apoio financeiro das casas de apostas agora precisam buscar outras fontes de receita. A situação atual reflete um ajuste necessário ao novo cenário regulatório e econômico.
Em prática, essa mudança já está sendo sentida nos bastidores do futebol brasileiro. Clubes que antes tinham o apoio financeiro das bets agora buscam novos parceiros e estratégias para manter suas finanças estáveis. A longo prazo, essa mudança pode levar a uma reestruturação nos modelos de negócios das casas de apostas e dos clubes de futebol, incentivando uma gestão mais sustentável e diversificada das receitas. Enquanto isso, o mercado acompanha as mudanças, ajustando expectativas e estratégias conforme o cenário evolui.
