A disputa entre siderúrgicas nacionais e chinesas pelo mercado de aço no Brasil tem gerado um impacto significativo nas distribuidoras de aço, que operam como o “estoque” e a logística da indústria. Essas empresas compram grandes volumes das usinas, fracionam pedidos e garantem pronta entrega para milhares de clientes, principalmente empresas menores que não têm escala para negociar diretamente com as siderúrgicas. No entanto, espremidos entre o aço nacional e o importado, os distribuidores enfrentam um dilema permanente: reduzir margens para sustentar a oferta local ou recorrer ao produto estrangeiro quando a diferença de preço se torna incontornável. Isso pode levar a prejuízos significativos, especialmente se os estoques foram montados a um preço mais alto e a venda se torna impossível por um valor de mercado mais baixo.
O cenário econômico atual no Brasil contribuiu para a difícil situação dos distribuidores de aço. A inflação continua a ser um problema no país, com a taxa de inflação acumulada nos últimos 12 meses em torno de 3,5%. Além disso, a taxa de juros alta, com o Selic em 13,75%, impõe um custo significativo para as empresas, especialmente as que operam com margens de um dígito. Juntando-se a isso, a queda no emprego e o aumento da desigualdade de renda também afetam negativamente a capacidade das empresas de manter a oferta local e garantir a competitividade do aço nacional. De acordo com um relatório, o aço importado pode chegar ao Brasil até 50% mais barato que o equivalente produzido no país, tornando difícil para os distribuidores manter a competição.
A distribuição de aço no Brasil é feita tanto por centros ligados às próprias siderúrgicas quanto por empresas independentes. Grupos como Gerdau, ArcelorMittal e Usiminas mantêm redes próprias ou autorizadas de venda, enquanto os distribuidores independentes, que não têm usina, compram de diferentes fornecedores para atender indústrias de pequeno e médio porte. A Açotubo, uma das maiores distribuidoras independentes do país, com faturamento próximo de R$ 2 bilhões no ano passado e presença em oito estados brasileiros, vende desde barras de aço carbono até aços inoxidáveis, versões mais resistentes à corrosão e aplicadas em equipamentos industriais. Com a falta de competitividade do aço nacional e a pressão dos preços do aço importado, os distribuidores precisam encontrar formas de se adaptar e sobreviver no mercado cada vez mais competitivo do aço.
