A cidade do Rio de Janeiro está experimentando um crescimento significativo no setor de estúdios para locação de curta estadia, especialmente na Zona Sul, que concentra os metros quadrados mais valorizados da cidade. De acordo com levantamento da prefeitura, o Rio recebeu 12,5 milhões de turistas em 2025, com 2,1 milhões de estrangeiros, um salto de 44,8% sobre o ano anterior, movimentando R$ 27,2 bilhões na economia local. A demanda por estúdios compactos, como os encontrados em plataformas de locação como o Airbnb, mas concebidos especificamente para essa finalidade, tem levado incorporadoras, gestoras de ativos e operadores especializados a investir bilhões na região.
A legislação carioca anterior estabelecia metragens mínimas e exigências de vagas de garagem por unidade em bairros nobres, o que tornava o estúdio economicamente inviável. No entanto, uma revisão do Código de Obras em 2019 e, principalmente, a revisão do Plano Diretor em janeiro de 2024 flexibilizaram essas restrições, permitindo a construção de unidades de menor metragem sem a necessidade de vagas de garagem. Esse movimento foi essencial para abrir caminho para o desenvolvimento desses estúdios. O economista e CEO da Lobie, Ernesto Otero, destaca que “a cidade ficou décadas sem uma legislação que permitisse apartamentos de baixa metragem em escala”. Em contraste, São Paulo havia feito mudanças semelhantes em seu plano diretor já em 2014, resultando no lançamento de mais de 367 mil unidades de até 45 metros quadrados entre 2004 e 2023, segundo o Secovi-SP.
Esse contexto ocorre em um cenário econômico mais amplo, no qual o setor imobiliário busca se adaptar às novas demandas do mercado. Com a inflação e os juros influenciando o mercado de crédito e investimentos, a atratividade de projetos que oferecem retornos potenciais altos torna-se ainda mais significativa. A Zona Sul do Rio, com sua localização privilegiada e perfil de alta renda, surge como um polo de investimentos nesse tipo de imóvel. Ainda que seja cedo para avaliar o impacto total desses investimentos na economia local, a tendência indica um aumento na oferta de moradias de curta estadia, o que pode influenciar os preços e a dinâmica do mercado imobiliário na região.
A rápida venda desses estúdios e o interesse de investidores demonstram a demanda concreta por esse tipo de imóvel. A mudança no cenário regulatório foi essencial para que o mercado de estúdios para locação de curta estadia no Rio de Janeiro pudesse florescer, aproximando-se do modelo já estabelecido em cidades como São Paulo. Esse movimento reflete uma adaptação do setor imobiliário às novas necessidades dos turistas e moradores temporários, moldando o futuro da habitação urbana na cidade.
