Em um cenário de crescimento dos lucros corporativos, investidores e executivos estão cada vez mais preocupados com a ameaça da inteligência artificial (IA) às empresas. A análise de transcrições de teleconferências de resultados mostrou que as menções à disrupção causada pela IA quase dobraram em comparação com o trimestre anterior. Embora a tecnologia ainda não tenha impactado significativamente as estimativas de lucros das companhias, os investidores estão vendendo ações de empresas que consideram estar em risco. Isso ocorre mesmo com o forte crescimento dos lucros, como o aumento de 12% nos lucros do quarto trimestre das empresas do S&P 500 em relação ao ano anterior.
Esse movimento reflete uma preocupação crescente com o potencial da IA de transformar ou até mesmo substituir certos setores e modelos de negócios. A empresa de imóveis comerciais CBRE Group é um exemplo recente. Após divulgar resultados financeiros melhores do que o esperado, seu diretor executivo mencionou que a IA poderia reduzir a demanda por espaços de escritório no longo prazo, levando a uma queda de 20% nas ações da empresa em dois dias. Esse tipo de reação demonstra como os mercados estão avaliando o impacto da IA nas empresas, mesmo que os efeitos concretos ainda não sejam claros. Os investidores estão colocando o ônus da prova sobre as empresas, que precisam demonstrar que estarão entre as vencedoras nesse novo cenário.
A situação atual está ocorrendo em um contexto de crescimento econômico com inflação e juros em níveis que influenciam as decisões de investimento. No entanto, o foco está na ameaça da IA, que parece estar ofuscando o forte crescimento das empresas. Mais de 75% das empresas do S&P 500 registraram surpresas positivas em termos de lucros, superando a média. Mesmo assim, os mercados permaneceram estagnados, com o índice S&P 500 oscilando entre 6.500 e quase 7.000 pontos desde o início de setembro. A IA agora é vista como um fator que pode afetar a rentabilidade futura das empresas, levando investidores a serem mais cautelosos.
Em meio a essa incerteza, Roberto Scholtes, chefe de estratégia do Singular Bank, observa que “os mercados agem primeiro e perguntam depois”. Isso significa que os investidores estão tomando decisões com base em expectativas e preocupações, mesmo antes de todos os impactos serem conhecidos. Enquanto isso, as empresas precisam lidar com essas expectativas, provando que serão capazes de se adaptar e prosperar em um ambiente cada vez mais influenciado pela inteligência artificial e pela disrupção tecnológica.
