A Oncoclínicas, uma empresa de saúde que opera em várias cidades do Brasil, está enfrentando uma crise financeira e de governança que já começa a afetar sua operação diária. A empresa, que cresceu rapidamente através de aquisições, se endividou para financiar essas operações e agora luta para reduzir sua dívida. No terceiro trimestre de 2025, a dívida da Oncoclínicas equivalia a 4,2 vezes o seu lucro operacional dos últimos 12 meses, o que levou a empresa a realizar um aumento de capital de R$ 1,4 bilhão em novembro para tentar reduzir essa alavancagem. Além disso, a Oncoclínicas está enfrentando uma situação complicada devido ao seu envolvimento com o Banco Master, que detinha 15% da empresa e onde a companhia aplicou R$ 480 milhões em CDBs. Essa exposição ao Banco Master está gerando desconfiança entre fornecedores e potenciais parceiros, que demonstram cautela ao negociar com a empresa devido ao seu perfil de crédito.
A situação da Oncoclínicas é ainda mais complexa devido à falta de clareza sobre sua governança e exposição ao Banco Master. Isso está levando a uma perda de confiança entre médicos, fornecedores e potenciais parceiros, o que pode afetar a capacidade da empresa de oferecer serviços de saúde de qualidade. De acordo com uma pessoa próxima ao negócio, “as pessoas estão muito reticentes quando se fala em Oncoclínicas, por causa desse envolvimento com o Master. A situação ainda não está clara, então empresas com compliance mais forte não vão se arriscar [a fazer negócios com a rede de clínicas]”. Além disso, a empresa está perdendo médicos, o que pode comprometer a qualidade dos serviços oferecidos. Executivos de empresas que fornecem equipamentos médicos e medicamentos à Oncoclínicas relatam que a empresa está evitando negociações mais agressivas devido à preocupação com o risco de crédito.
O aumento de capital realizado em novembro foi uma tentativa de reduzir a alavancagem da empresa e evitar a renegociação da dívida ou a oferta de mais garantias. No entanto, a situação da Oncoclínicas ainda é incerta, e a empresa precisa encontrar uma solução para resolver seus problemas de governança e financiamento. A nomeação de Camille Faria como vice-presidente executiva pode ser um passo positivo para a empresa, mas ainda é cedo para avaliar o impacto de sua gestão. Enquanto isso, a Oncoclínicas precisa lidar com a desconfiança de fornecedores e potenciais parceiros, que estão negociando as condições de pagamento com a empresa de forma mais dura. A empresa também precisa encontrar um jeito de reter seus médicos e manter a qualidade dos serviços oferecidos, o que é fundamental para sua sustentabilidade a longo prazo.
A crise da Oncoclínicas é um exemplo de como a falta de transparência e a má gestão podem levar uma empresa a uma situação delicada. A importância de uma boa governança e de uma gestão financeira sólida não pode ser subestimada, especialmente em setores como a saúde, onde a confiança dos pacientes e dos profissionais é fundamental. A Oncoclínicas precisa encontrar uma solução para seus problemas e restaurar a confiança de seus stakeholders, o que pode ser um desafio difícil, mas necessário para a sua sobrevivência.
