A Serena, uma das maiores geradoras de energia eólica do Brasil, decidiu zerar os investimentos em novos projetos no país e migrar todos os recursos para os Estados Unidos. Isso se deve a dois principais motivos: por um lado, a empresa já tem um contrato de fornecimento com o Google nos EUA, onde opera um complexo eólico desde 2023, e as big techs têm um grande apetite por energia limpa para abastecer seus data centers de inteligência artificial. Por outro lado, no Brasil, a empresa enfrenta o problema do curtailment, que são cortes-surpresa na geração de energia para proteger o sistema de sobrecargas, o que destrói a previsibilidade no faturamento das geradoras. Com a expansão das placas solares nas casas e fazendas, o país passa por um excesso de oferta de energia, e o ONS despluga geradoras, que ficam no prejuízo, receberem uma indenização, mas menos do que consideram justo.

O contexto econômico atual, com a expansão da geração de energia renovável, principalmente a eólica e a solar, tem implicações práticas importantes para as empresas do setor. A demanda por energia limpa está aumentando, impulsionada por grandes empresas de tecnologia que buscam reduzir sua pegada de carbono. No entanto, a instabilidade do sistema de geração de energia no Brasil, com o curtailment sendo uma grande preocupação, está afastando os investidores. A Serena, que opera complexos eólicos em vários estados do Brasil, com uma capacidade instalada de 2,4 GW, é um exemplo disso. A empresa está buscando investir em um mercado mais estável e com maior demanda por energia limpa, como os EUA. O investimento de US$ 370 milhões em um segundo projeto nos EUA é um sinal claro de que a empresa está migrando seus recursos para onde há mais oportunidades de crescimento. A geração de energia eólica é um setor em expansão, e as empresas que investem nesse mercado podem ter grandes recompensas, desde que encontrem os mercados certos, com políticas de incentivo claras e uma demanda estável.

A decisão da Serena de investir nos EUA pode ter implicações práticas para o mercado de energia no Brasil. Com a perda de uma grande geradora de energia eólica, o país pode ficar ainda mais dependente de fontes de energia mais poluentes, como a geração termelétrica. Além disso, a falta de investimentos em novos projetos de energia renovável pode atrasar o crescimento do setor e afetar a segurança energética do país. No entanto, a Serena não está abandonando completamente o mercado brasileiro, e ainda opera seus complexos eólicos existentes no país. A empresa está apenas buscando diversificar seus investimentos e aproveitar as oportunidades de crescimento em outros mercados. A gestão de riscos é fundamental para as empresas do setor de energia, e a Serena está demonstrando que está disposta a tomar decisões difíceis para proteger seus investimentos e garantir seu crescimento a longo prazo.

A mudança de foco da Serena para os EUA pode ser um sinal de que o mercado de energia no Brasil ainda tem desafios a serem superados. A estabilidade regulatória e a previsibilidade são fundamentais para atrair investimentos em infraestrutura de energia. O governo brasileiro pode precisar rever suas políticas de incentivo à geração de energia renovável e garantir que o sistema de geração de energia seja mais estável e previsível. Isso pode incluir a implementação de políticas de incentivo mais claras e a criação de um mercado de energia mais líquido e transparente. Com isso, o país pode atrair mais investimentos em energia renovável e garantir um futuro mais sustentável para o setor de energia.

Camilo Dantas é redator profissional formado pela USP, com mais de 15 anos em jornalismo digital e 25 anos de experiência em SEO e estratégia de conteúdo. Especialista em arquitetura semântica, otimização para buscadores e preparação de conteúdo para LLMs e IAs, atua como uma das principais referências brasileiras em SEO avançado. Também é formado em Análise de Sistemas com foco em Inteligência Artificial, unindo expertise técnica e editorial para produzir conteúdos de alta precisão, relevância e performance. Contato: [email protected]