As empresas Suzano e Klabin, líderes no setor de celulose e papel, vêm implementando estratégias para reduzir sua dependência do preço internacional da celulose, que tem apresentado um desempenho desfavorável nos últimos anos. Com o objetivo de diversificar seus portfólios e suavizar a volatilidade do negócio de celulose, essas empresas têm focado em ampliar a venda de produtos acabados, como papel higiênico e embalagens, ao invés de apenas vender a commodity em si. Essa decisão tem se mostrado acertada, pois a Klabin, por exemplo, conseguiu gerar 60% de seu resultado operacional (Ebitda) com a venda de papéis e embalagens no ano passado, totalizando R$ 4,7 bilhões do total de R$ 7,8 bilhões gerados. Já a Suzano, embora ainda tenha a exportação de celulose de fibra curta como seu principal negócio, também tem avançado nessa estratégia, com o segmento de papel e derivados respondendo por R$ 2,8 bilhões do seu Ebitda.
A estratégia de diversificação do portfólio dessas empresas tem implicações operacionais significativas, pois exige a alocação de recursos para o desenvolvimento de novos produtos e a ampliação da capacidade de produção. Além disso, a empresa precisa ter uma boa compreensão do mercado e da demanda por esses produtos, para poder oferecer o que os clientes precisam. No caso da Klabin, a empresa tem aproveitado a demanda por embalagens sustentáveis e de alta qualidade, o que tem contribuído para o seu sucesso nesse segmento. Já a Suzano, embora ainda tenha um longo caminho a percorrer, tem investido em tecnologia e inovação para melhorar a eficiência e a competitividade de seus produtos. A gestão de riscos é também fundamental nesse processo, pois as empresas precisam ser capazes de lidar com a volatilidade do preço da celulose e com as incertezas do mercado.
O mercado mundial de celulose está passando por um desalinhamento, com preços diferentes em distintas regiões. Na China, o preço da fibra curta está em torno de US$ 580 por tonelada, enquanto na Europa, o mesmo produto está valendo mais que o dobro, em torno de US$ 1.250 por tonelada. Essa diferença se deve, em parte, aos gargalos logísticos e estoques mais apertados na Europa. As empresas que conseguirem adaptar-se a essas mudanças e diversificar seus portfólios estarão melhor preparadas para enfrentar os desafios do mercado. Além disso, a inovação e a sustentabilidade são fundamentais para o sucesso nesse setor, pois os clientes estão cada vez mais procurando por produtos que sejam não apenas de alta qualidade, mas também sustentáveis e éticos.
A escolha da Suzano e da Klabin em investir em produtos com valor agregado, como papel higiênico e embalagens, pode ser vista como uma forma de mitigar os riscos associados ao preço da celulose. Além disso, a expandir sua presença no mercado de produtos acabados, essas empresas podem aproveitar a demanda por produtos de alta qualidade e sustentáveis, o que pode contribuir para o seu crescimento e competitividade. Com a continuidade desse processo de diversificação e inovação, é provável que a Suzano e a Klabin continuem a ser líderes no setor de celulose e papel, mesmo em um mercado com muitas incertezas e desafios.
